Piso Tátil: Para que serve?

Você provavelmente já notou o piso tátil por onde anda, mesmo sem saber que esta é sua denominação. Provavelmente, inclusive, já o sentiu, com “bolinhas” ou linhas em alto relevo no solo. Diferente do resto do piso, o material é importante para auxiliar na locomoção de deficientes visuais. Por isso, tanto indivíduos cegos, quanto os com baixa visão, como idosos, se beneficiam da instalação.

O piso tátil sempre possui cor e textura diferente do resto do piso em que é aplicado. Ele deve ser instalado em todos os tipos de obras, incluindo hospitais, cinemas, teatros, estabelecimentos comerciais, espaços públicos e outros. A instalação, aliás, é obrigatória por lei, pois garante a acessibilidade de pessoas com deficiência e, consequentemente, maior igualdade dos sujeitos perante a sociedade.

A lei que fala sobre a obrigatoriedade de instalação do piso é o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Definido em 2015, essa regra especifica a aplicação do material em todo e qualquer espaço de uso coletivo ou mobiliário urbano. Isso quer dizer que não é obrigatório colocar as peças em casa, a menos que você deseje dar sempre acessibilidade a seus convidados.

A orientação dos indivíduos se dá por meio da bengala. Funcionando como “os olhos” do indivíduo deficiente, o acessório, por meio do tato, “informa” ao cidadão que aquele espaço é diferente. Isso o faz perceber, por exemplo, o fim de uma escada, ou então a direção  a seguir na calçada. Ou seja, existem dois tipos de piso tátil: o de alerta, e o direcional.

Piso de alerta

O piso de alerta, como o próprio nome já diz, é aquele que “avisa” ao deficiente a necessidade de maior atenção. Ele possui uma forma padrão de pequenas bolinhas, e por isso é conhecido popularmente como “piso de bolinhas”.

Esse tipo de piso tátil é instalado, por exemplo, em rampas, escadas e em local em que há obstáculo ao trânsito. Ele aparece também à porta de elevadores, para alertar quanto a qualquer desnível, e ainda para informar que a calçada chegou ao fim e que será preciso atravessar a rua para continuar o percurso. Isto é, o material é posicionado em qualquer situação em que o chão possa causar risco ou acidente ao indivíduo.

Por isso também, é comum que esse tipo de instalação apareça na plataforma do metrô. Com o piso de bolinhas pouco antes do fim da plataforma, o sujeito tem ciência de que, caso continue a andar, acabará por se machucar naquele espaço.

Piso direcional

Já o piso direcional tem como função indicar o caminho, orientar o trajeto do cidadão. Ele tem como característica linhas em alto relevo, ao invés das bolinhas do material de alerta.

Essas linhas são posicionadas no chão de modo a indicar o seguir em frente do indivíduo, e por isso facilitam seu trânsito. Afinal, quando, por exemplo, houver uma curva na rua, a peça será instalada de modo a também a fazer essa curva. O resultado é que o deficiente visual, mesmo sozinho, consegue se locomover tranquilamente pela cidade.

Regras de instalação

No Brasil, as regras de instalação do piso tátil seguem as especificações da NBR (Normas Brasileiras de Regulamentação) 9050. Os princípios definem os tamanhos adequados, cores, formas de instalação e outras informações quanto ao uso desse material.

De qualquer forma, o piso desse tipo deve ser instalado com cuidado e planejamento. Isso uma vez que, se mal posicionado, ou se colocado em excesso, o material pode acabar por confundir o deficiente. Imagine, por exemplo, que o piso de alerta seja colocado num ponto do chão, e em seguida haja piso direcional seguindo o caminho. Caso essa instalação seja errônea e não haja realmente um caminho a ser seguido, o indivíduo pode sofrer um acidente. É fundamental pensar que esse tipo de solo funciona como “os olhos” do deficiente, e o mínimo descuido pode ser perigoso à sua integridade física.

Utilizar o piso tátil de alerta e direcional juntos é importante. Nesse caso, porém, eles não devem ser sobrepostos. Caso haja um obstáculo e, ao mesmo tempo, mudança de direção do caminho, os dois pisos devem ser intercalados. Assim, o sujeito poderá entender ambas as informações.

A atenção às cores das faixas é igualmente importante. Mesmo que sejam diferentes – de bolinha ou linhas – os materiais devem ser instalados numa cor única. Isso porque, para uma pessoa com pouca capacidade visual, a mistura de cores pode causar confusão. O cansaço visual também será maior, dificultando a percepção da real mensagem da instalação.

Neste caso, você pode pensar: “mas a percepção é feita pelo tato. Como as cores podem atrapalhar?”. A questão é que os sentidos agem juntos. Para uma pessoa com baixa visão, a associação das cores ao tato vai oferecer muitas informações simultâneas, e assim dificultar a compreensão da mensagem.

Tipos de piso tátil

Quando o piso tátil é feito de concreto, o correto é que ele seja “colado” com cimento ou argamassa sobre o piso. Já os pisos de PVC ou borracha precisam ser fixados com adesivo de contato extra forte. Há ainda outros tipos de materiais, como os que possuem fita dupla-face especial, e as peças metálicas.

Geralmente, os modelos em cimento são instalados em espaços externos, enquanto os emborrachados são mais indicados ao interno dos imóveis.

A largura das peças é igualmente importante. Para um piso liso, o material tátil deve ter medidas entre 0,25m e 0,40m. Para o chão não-liso, a aplicação deve ter a mesma medida, acrescida de faixas laterais lisas de 0,60m de largura cada. Seguir essas especificações é essencial porque não confunde o deficiente, e permite a melhor percepção dos desníveis e diferenças de pisos.

Além dessas características, no momento do posicionamento desse tipo de piso é necessário verificar o local de instalação. Um local que tem trânsito constante de máquinas, por exemplo, dificilmente irá se beneficiar de um piso desse tipo no meio do caminho. Nesses casos, pode ser mais interessante manter o chão diferente nos cantos do ambiente, pois assim as peças não serão desgastadas. Ao mesmo tempo, acidentes serão prevenidos, pois o indivíduo permanecerá em espaço seguro de locomoção.

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